Mestre Cabanas evocado em Vila Real de S.António

Por Pedro M. Pereira

No pretérito dia 11 de Fevereiro, um grupo de amigos do Mestre Manuel Cabanas, provenientes das mais diversas partes do país, com o patrocínio do Pelouro da Cultura da Câmara Municipal de Vila Real de Stº António, personalizado no seu vereador da Cultura, Arqtº José Carlos Barros, levou a efeito uma romagem ao cemitério de Cacela, onde se encontra sepultado esse insigne artista e notável lutador pelos valores da democracia e da liberdade, valores esses que desde muito jovem, nortearam a sua vida.
Natural da localidade onde se encontram os seus restos mortais, cedo, Manuel dos Santos Cabanas deixou o futuro prometido na modesta lavra de seus pais, apanhando o comboio que o levaria até aquele que foi o seu destino por mais de seis décadas; o Barreiro.
Funcionário dos Caminhos-de-Ferro do Sul e Sueste, chegou a chefe de estação, onde, nessas funções, em serviço nocturno na estação da Moita, nas longas noites a que as chefias o tinham «condenado» por ter tomado posições em defesa dos valores que havia abraçado, soube tirar partido desse castigo, lendo os autores clássicos, estudando arte e praticando na arte que o haveria de projectar além fronteiras: a xilogravura.
Há onze anos, falecia no Hospital de Faro, onde havia dado entrada uns dias antes.
Desde o falecimento de sua esposa, havia-se fixado em Vila Real de Stº António, cuidando do Museu Municipal com o seu nome, fruto do espólio da sua arte que doou a essa cidade, pouco antes do 25 de Abril de 1974.
Situava-se então este pólo cultural vilarealense, no piso térreo do lado esquerdo, dos Paços do Concelho. Nele podíamos admirar, não só a maior parte da produção artística do Mestre, como também, trabalhos de importantes artistas nacionais e estrangeiros, que lhe haviam sido oferecidos ao longo dos anos, para além de um importante acervo relacionado com a arqueologia industrial do concelho; as pedras de impressão litográfica da antiga empresas de pescas dessa cidade, de seu nome, Ramiro, Perez & Combrera.
Como nota de destaque, refira-se que este era o único Museu do país aberto desde as 15h00 até às 23h00, o que, atendendo à sua situação geográfica, numa terra de forte atracão turística, não era de todo displicente. Sobretudo, porque no Verão, após o jantar, o Museu era visitado por milhares de turistas, constituído, assim, um importante cartão de visita de Vila Real de Stº António.
Hoje, só podemos vislumbrar uma pequena parte desse espólio, que se encontra patente ao público no Centro Cultural da cidade. O antigo Mercado.
No decorrer desse encontro, do passado sábado, durante o almoço de convívio, o vereador da Cultura, José Carlos Barros, usou da palavra não só para tecer elogios à figura de Cidadão e Artista que foi o Mestre Cabanas, como também, para anunciar que iria sugerir a criação de um Centro de Estudos em torno dessa figura ímpar, a ser criado sob a égide da autarquia vilarealense e em moldes a definir, atendendo à importância que a actual edilidade atribui ao eminente Artista.
Mestre Cabanas foi agraciado em vida com inúmeras condecorações, com destaque para a Comenda da Ordem da Liberdade e da Ordem do

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One Response to Mestre Cabanas evocado em Vila Real de S.António

  1. Álvaro Morgado diz:

    Estou a preparar no meu blog: http://barreiro-e-arredores.blogspot.pt/
    a minha homenagem ao artista e amigo Mestre Manuel Cabanas.por isso achei interessante dar com este texto que li com muita atenção. Às vezes nestes textos aparecem pequenos lapsos ou omissões que são naturais dado muitas vezes as pessoas não terem contatado diretamente com o artista mas sim por terem ouvido dizer.
    Por exemplo: saberão as pessoas que o museu de Vila Real de Stº. António onde está o espólio de Manuel Cabanas se deve ao fato de o Barreiro nunca se ter interessado em que as suas obras ficassem nesta terra? Quantas vezes lhe ouvi dizer que gostaria de oferecer os seus trabalhos ao Barreiro mas ninguém se prpunha a criar um espaço onde elas pudessem ficar e ser mostradas ao público e não ficarem eternamente encaixotadas. E tantas vezes o disse que acabou por chegar à conclusão que o Barreiro não lhe era agradecido razão pela qual ofereceu as suas obras a quem o recebeu de braços abertos, Vilia Real de Santo António que nada aliás tem que ver com o artista a não ser serem ambos algarvios.

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