O Poço dos 16

Agosto 31, 2007

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Aguarela de Eugénio Silva – Imagem ArtBarreiro – Luis Ferreira da Luz

O denominado “Poço dos 16” foi um dos mais antigos poços públicos do Barreiro. Ficava situado na Rua Conselheiro Serra e Moura no lugar do prédio que hoje faz esquina entre esta rua e a Rua Eça de Queirós.                                                                                                    Foi construído por subscrição pública em 1793. Segundo a tradição deve o seu nome ao facto da subscrição ser de dezasseis vinténs.    A sua àgua era das melhores e mais frescas do Barreiro.                                                                                                                                                                                                            Sofreu diversas modificações e melhoramentos ao longo do tempo mas com a construção da rede de abastecimento de àgua viria a perder importância, vindo a ser demolido em 1951.                   

Bibliografia :

O Barreiro Antigo e Moderno – Armando da Silva Pais     

                            


Um olhar sobre a Alburrica

Junho 28, 2007

Imagens ArtBarreiro – Luis Ferreira da Luz

Cândido Lopes

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Eugénio Silva

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Américo Marinho

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Luis Ferreira da Luz

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Belmiro Ferreira

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A praia do Clube Naval

Janeiro 21, 2007

No olhar de Mestre Augusto Cabrita


50 anos do Ginásio Sede do F. C. Barreirense

Janeiro 21, 2007

Construído entre 1945 e 1956 foi levantado com o esforço, a dedicação e o saber de um grupo de Barreirenses liderados por António Balseiro Fragata.


O Moinho Pequeno

Janeiro 21, 2007

  No olhar inconfundível de Mestre Augusto Cabrita


O Poeta João Azevedo do Carmo

Janeiro 21, 2007

Por Raúl Machado

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Aprendi a ler na biblioteca dos Penicheiros e sempre que abria um livro lá aparecia o poema colado nas primeiras páginas.
Só 35 anos depois em 2006 ao ler Eu, meus senhores, amo a liberdade de João Azevedo do Carmo soube quem era o autor.
Vai falar: O LIVRO
Leitor

Prova que és civilizado
tratando-me com cuidado.

Jovem, criança, pai, mãe:
faço bem – trata-me bem.

Põe um papel a forrar-me,
não vá a mesa sujar-me.

Não me abras de mais.Faz mal
à minha espinha dorsal!

Se espirrares ou tossires,
é favor não me atingires.

Folheia-me a seco….Prime.
O dedo à boca é um crime.

Que a tua mão ao fechar-me,
tenha cuidado em guardar-me…

Findas-te a leitura? Então
não me retenhas em vão…

Não pertenço a ti sómente,
sou livro de muita gente.
O LIVRO

O senhor Carmo era amigo do meu pai, pessoa de uma educação e cultura como já não se encontra. Não esqueço a maneira carinhosa com que me tratava.

Nasceu a 2 de Maio de 1899 no Barreiro.

Figura ímpar do movimento associativo foi :

– Fundador do Clube Naval Barreirense
– Fundador da Sociedade Esperantista Operária do Barreiro
– Dirigente do saudoso Clube 22 de Novembro
– Dirigente da Misericórdia do Barreiro
– Criador do curso nocturno do Instituto dos Ferroviários.

A par da sua actividade associativa também foi jornalista no Eco do Barreiro, Acção e Acção Nacionalista.
Em termos politicos foi dirigente do MUD no Barreiro e pertenceu à Comissão Conselhia da Candidatura de Norton de Matos à Presidência da República em 1947. Depois do 25 de Abril aderiu ao Partido Comunista Português.

Faleceu em 23 de Janeiro de 1986


Augusto Cabrita – A Memória das Imagens

Janeiro 21, 2007

Por Pedro M. Pereira

Treze anos são passados desde o desaparecimento físico de Augusto Cabrita. Treze anos de saudades do amigo, do companheiro das aventuras do dia-a-dia, do Mestre, do artista, ímpar no seu meio.
Augusto António do Carmo Cabrita, oriundo de famílias algarvias, casado com uma senhora de Portimão, nasceu no Barreiro em 1923, terra de tradições operárias e de grande movimento associativo e artístico.
Desta terra, ao longo dos anos, saíram nomes que se tornaram importantes no panorama artístico português, das mais diversas áreas. O Augusto viria a ser um deles.
Desde muito jovem que se dedicou à fotografia, tendo por isso, a partir de 1949, recebido os mais diversos galardões nacionais e estrangeiros. Dos mais importantes são de destacar, o Prémio da Crítica, em 1962, o Prémio Nacional de Cinema, em 1964, com o filme Belarmino, os mesmos Prémios em 1970 e 1971, e o Troféu Foca de Ouro, em São Paulo-Brasil, em 1968.
Desde o início da televisão em Portugal, em 1957, que com ela começou a colaborar, tendo realizado centenas de trabalhos, como as reportagens da guerra em Angola, a invasão de Goa, o terramoto de Agadir e por aí fora.
De entre os seus trabalhos mais recentes, aquele que ainda se mantém na retina de muitos espectadores, foi a série de filmes com o título genérico de Melomanias, em conjunto com João de Freitas Branco e Filipe Branco. Filmes a preto e branco em que as imagens «dançavam» ao som da música. Imagens de uma beleza impressionista, só possíveis de captar por quem ama a vida para além do que se vê, por quem domina a câmara de forma magistral.
Aliás, para o Augusto a vida era uma sucessão musical de imagens e escalas, de tons e sons que «agarrava», que sabia «agarrar» como ninguém através das suas câmaras, em filme ou foto.
Aqui, convém recordar, porque muitos o não sabem: o Augusto Cabrita era um brilhante pianista. Se não tem sido fotógrafo e cineasta, o seu nome teria visto as luzes da ribalta através do piano.
Mesmo após ter regressado a casa depois de uma longa e dolorosa doença que o prostrou hospitalizado por longos tempos num leito do Hospital da CUF, doença de que saiu sem audição, o Augusto no seu piano de cauda tocava, como se o ouvido apurado tivesse. Com sentimento, com amor, quase sempre afinado. Ainda hoje recordo essas imagens com profunda saudade e muita nostalgia, espantado, com o Tejo largo como um mar, em pano de fundo, para além das janelas da sua sala que se harmonizava com ele, connosco, com os amigos, com a Manuela, sua mulher, seu porto de abrigo.
Da fotografia de filmes da sua autoria são de salientar: Belarmino, de Fernando Lopes, Ilhas Encantadas, de Carlos Vilardebó, protagonizado por Amália Rodrigues e Catembe, de Faria de Almeida.
Realizou os filmes, Os Caminhos do Sol, com Carlos Vilardebó, Na Corrente, com música de Carlos Paredes, A Catedral da Angústia, com música de António Vitorino de Almeida e por aí fora.
Sobre o pugilista Belarmino, escreveu Augusto Cabrita: «A luz que o rosto de Belarmino irradiava era de uma beleza rara e comovente. Nascia assim tão natural, como nascem as coisas simples…Não era necessário dramatizar aquele rosto a golpes violentos de projector, porque o rosto de Belarmino era já dramático em si mesmo (…) Estou a vê-lo calmo e sereno no tapete do seu último combate (…) Guardo o plano na memória (…) É este o último plano de Belarmino».
Porém, para além das centenas de exposições fotográficas em que participou ao longo dos anos, produziu milhares de trabalhos de fotografia, com destaque para os realizados no Oriente.
De salientar também os trabalhos realizados para álbuns e enciclopédias de prestigiadas editoras {que de resto continuam a saír em sucessivas edições}, como Vilas e Aldeias de Portugal, Os Mais Belos Castelos de Portugal, Os Mais Belos Rios de Portugal, Os Parques e Reservas Naturais de Portugal, A Cozinha Tradicional Portuguesa, este, em conjunto com o fotógrafo António Homem Cardoso, e Europália Vista por Augusto Cabrita, {1991}, com texto de Nuno Judice, entre outros.
Culto, de uma rara sensibilidade e princípios éticos, reflectiam-se esses seus dotes na maneira de estar e de ser com todos, com o seu semelhante, na sua arte, na forma de captar a vida {que amava profundamente} em imagens com as suas câmaras.
Mestre Augusto Cabrita era um homem generoso, de carácter, nobre e leal como só pode ser um Homem.